O presidente Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) Fernando Pimentel avalia que o objetivo da entidade, neste momento, é seguir negociando, considerando o risco de o tarifaço de Donald Trump sufocar o crescimento industrial brasileiro. Pimentel observa que, caso a exportação seja perdida e não for redirecionada, ao menos 5 mil vagas de trabalho formais podem desaparecer. A declaração foi feita, nesta sexta-feira (1°), em entrevista ao Jornal da CBN, onde comentou o impacto do tarifaço assinado por Donald Trump sobre a indústria têxtil.
Quando não se consegue expandir mercados, o crescimento da indústria fica limitado, diz entidade do setor têxtil0 seconds of 0 secondsVolume 45%00:0000:00
Fernando Pimentel explica que o setor pode perder cerca de 5mil postos de trabalho formais, caso a exportação não seja redirecionada, algo que seria bastante prejudicial para a economia como um todo.
Este ano, esperávamos exportar em torno de R$500 milhões de reais para os Estados Unidos, já tínhamos atingido metade do caminho. A estimativa é de cada um bilhão de dólares que você exporte, você gera entre 60 e 70 mil postos diretos e indiretos de empregos no Brasil. Se toda essa exportação for perdida e não houver um redirecionamento, seja para o mercado local, seja para outros mercados mundiais, você tem um potencial de perder algo como 5 a 6 mil postos formais de trabalho, o que seria muito negativo, até porque este ano nós estamos gerando emprego pelo segundo ano consecutivo.
O presidente da Abit também analisa que as tarifas adicionais de 40% acima dos 10 estabelecidos anteriormente, praticamente inviabilizam o comércio, as exportações da indústria têxtil e de confecção para os Estados Unidos.
Pimentel destaca que a missão da entidade é dar continuidade às negociações, uma vez que quando não se consegue expandir mercados, o crescimento industrial fica comprometido. Para ele, não é hora de retaliações.
"Nossa missão fundamental, junto com as autoridades brasileiras, claro, é avançar em negociações. O Estados Unidos está entre os terceiro e quarto lugar dos principais destinos das nossas vendas, o setor têxtil e confecção é majoritariamente produtor e atendedor do mercado local, mas as exportações vêm crescendo. Se você não conseguir expandir os seus mercados, você limita o crescimento da sua indústria", diz. "É um momento delicado, mas que vai exigir negociações, paciência, não vale a pena agora você entrar num processo de retaliação, porque não vai nos levar a lugar nenhum".
O presidente da Abit espera que as decisões sejam tomadas de forma consciente, já que o país recebeu a maior tarifa.
Espero que a razão venha a prevalecer, apesar da razão ser um item que está um pouco escasso, toda essa situação, mas, de qualquer maneira, nós entendemos que não faz o menor sentido. O Brasil está punido com essa maior tarifa até agora em impostos, e muito menos a indústria do texto de confecção.